Modo de Fazer Renda Irlandesa
Divina Pastora/SE

Essa renda de agulha tem suporte no lacê, um cordão brilhante preso a um desenho sinuoso, que deixa espaços a serem preenchidos pelos pontos de bordado com motivos tradicionais e outros inventados a partir deles. As rendeiras que os fazem, hoje, sobretudo na cidade de Divina Pastora/SE, recriaram uma tradição importada da Europa no século XVII, antes restrita à aristocracia. Agora, a partir dos ensinamentos das mestras rendeiras, as mulheres se reúnem para trabalhar e conversar sobre a vida e a qualidade de suas rendas, enquanto executam uma arte de extrema beleza.

Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas
regiões do Serro e das Serras da Canastra e do Salitre/MG

A partir do aproveitamento da grande produção de leite das regiões serranas, utilizando técnicas tradicionais com algumas variações locais no uso do pingo (coalho), a prensagem e a cura (maturação), Minas Gerais criou um tipo de queijo muito especial, que define fortemente a cultura local. Cada fazenda, comunidade ou pessoa pode acrescentar algum toque particular à sua fabricação, mas o seu consumo é um prazer do paladar de todo mineiro. Acompanhando o café e os quitutes ou como ingrediente do pão de queijo, esse produto tradicional rende excelentes prosas na hora da merenda..

Ofício das Baianas de Acarajé
Salvador/BA

Originário do Benin, na África Ocidental, associado aos cultos do Candomblé aos orixás Xangô e Iansã, o acarajé é um bolinho de feijão fradinho pilado e temperado, frito em azeite de dendê e recheado com camarão. Mas desde os tempos coloniais ele ganhou as ruas de Salvador e do Brasil pelas mãos das escravas de ganho chamadas baianas de tabuleiro. Especialistas na elaboração de comidas tradicionais de origem africana, como o vatapá e o caruru, além de cocadas e outras iguarias, as baianas são agentes fundamentais de preservação de uma identidade cultural afro-brasileira que hoje se confunde com a imagem da Bahia.

Saberes e Práticas Associados aos Modos de Fazer Bonecas Karajá
GO, TO , MT e PA

As bonecas de cerâmica do povo indígena Karajá, que vive às margens do Rio Araguaia, são confeccionadas apenas com barro, cinza e água, mas usando técnicas tradicionais que lhes dão características próprias. Depois de modeladas e submetidas a uma queima especial, são pintadas à mão com desenhos das pinturas corporais e adornos do povo Karajá que representam atributos masculinos e femininos em sua cultura. Em sua língua nativa, eles chamam de Ritxòkò essas bonecas feitas para as crianças que, ao brincar com elas, aprendem o que é ser Karajá e sua visão de mundo. Hoje, porém, elas têm grande procura e são uma fonte de renda para as famílias.

Ofício das Paneleiras de Goiabeiras
Vitória/ES

As moquecas capixabas e as tradicionais panelas de barro em que são cozidas e servidas são conhecidas em todo o Brasil. Poucos sabem, porém, que elas são feitas segundo antigas técnicas indígenas, usando matérias-primas locais muito especiais. As artífices que as produzem, chamadas de paneleiras, são moradoras do bairro de Goiabeiras, em Vitória/ES. Moldadas por mãos ágeis e instrumentos rústicos, as panelas são alisadas, queimadas ao ar livre e impermeabilizadas com tintura de quinino, que lhes dá a cor característica. As paneleiras dizem que se pode usá-las para preparar qualquer comida, mas peixe e mariscos só podem mesmo ser feitos em panela de barro.

Modo de Fazer Viola-de-Cocho
Pantanal/MT e MS

Para se fazer um tipo de viola muito especial, chamado viola-de-cocho, é necessário um conhecimento profundo da natureza do Pantanal mato-grossense, já que cada uma de suas partes provém de materiais da flora e da fauna da região. Seu nome vem do modo singular como ela é feita, pois a viola é escavada numa única peça de madeira, como os cochos utilizados para a alimentação do gado. Com sua sonoridade singular, ela é tocada nas festas para os santos populares e nas danças do Cururu e do Siriri, mas já ganhou muitos adeptos também entre os violeiros modernos e músicos populares.