Transmitir o conhecimento de habilidades manuais e técnicas para formar artífices especializados foi, desde a Idade Média, a função das corporações de ofício, que serviam para organizar o trabalho e controlar sua qualidade. Este foi também o modo de ensino dos ofícios no Brasil colonial. Trabalhando com um mestre, o aprendiz se tornava oficial e depois mestre de ofício, podendo contratar obras e outros aprendizes, após se submeter a exame de sua corporação e pagar à Coroa os devidos tributos.

Contudo, no início da colonização, o ensino dos Jesuítas destinava-se a escravos indígenas e africanos e uns poucos portugueses pobres, para que aprendessem as primeiras letras e alguma forma de trabalho. Pouco espaço havia para as artes liberais, voltadas para a formação de letrados e artistas, ao contrário das artes mecânicas, que formavam artesãos especializados em ofícios manuais. Ferreiros, carpinteiros ou entalhadores de imagens eram todos considerados oficiais mecânicos. Nem mesmo o gênio do Aleijadinho o distinguiria, exceto por sua condição de mestre de ofício excepcional. No século XIX foram extintas as corporações de artes e ofícios, mas a transmissão de um saber fazer baseado na experiência continuou a existir em famílias e comunidades de artesãos populares por todo o Brasil.

A diversidade de técnicas, sentidos e usos encontrados nesses ofícios e modos de fazer tradicionais, quer se trate da produção artesanal de objetos ou receitas culinárias, revelam as origens híbridas da formação de nossa cultura popular. Quase sempre vistos como alternativa para a geração de trabalho e renda, os oficios artesanais oferecem mais que possibilidades econômicas.

São, também, símbolos de identidade cultural e espaços de organização social, que atividades do IPHAN como o Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural (Promoart) e suas ações de salvaguarda do patrimônio imaterial têm ajudado a reconhecer e valorizar.

Brasil: Saberes e Ofícios mostra seis dessas atividades que constituem modos de fazer próprios ao universo popular já registrados pelo IPHAN.É preciso conhecê-los para aprender a respeitar e honrar o patrimônio da memória guardado nas mãos desses mestres e mestras que nos revelam saberes, sabores, artes do sagrado e do profano da cultura brasileira.